Jantar de negócios, casamento, formatura, congresso, uma viagem de fim de semana. É um formato bastante procurado e quase nunca explicado, o que faz muita gente nem cogitar por não saber como se propõe.
A lógica é diferente da de um encontro comum em praticamente tudo: antecedência, preço, o que se combina antes e o que se espera durante.
Por que é outro serviço
Em um encontro convencional, você contrata uma hora. Aqui você contrata a agenda inteira dela, e é isso que muda o cálculo.
- Bloqueia o dia, não a hora. Um jantar às 20h com duração incerta inviabiliza qualquer outro compromisso naquela noite.
- Exige preparo. Roupa adequada ao evento, cabelo, maquiagem. Isso é tempo e é dinheiro, antes de o encontro começar.
- É trabalho em público. Manter conversa, postura e naturalidade por horas, em ambiente social, com pessoas desconhecidas, é mais exigente do que um atendimento reservado.
- Envolve exposição. Ser vista em público num evento com fotógrafo é um risco à privacidade dela, e nem toda profissional aceita por isso.
Como costuma ser cobrado
Não por hora. Os formatos usuais:
- Jantar ou evento: um valor de bloco, tipicamente de quatro a seis horas, definido de antemão.
- Pernoite: valor fechado, geralmente do fim da noite até a manhã seguinte, com horário de término combinado.
- Viagem: uma diária, quase sempre com desconto progressivo, já que dois dias raramente custam o dobro de um.
Em cima disso vêm as despesas, que são por sua conta e não fazem parte do cachê:
- Passagem, hospedagem e transporte
- Refeições e bebidas durante o período
- Ingresso do evento
- Eventualmente, ajuda com a roupa quando o evento exige traje específico que ela não teria motivo para ter
Combine explicitamente quem paga o quê. É a fonte número um de mal-entendido nesse formato.
Antecedência
Jantar: alguns dias. Evento com traje ou data marcada: uma a duas semanas. Viagem: idealmente um mês. Pedido de última hora para esse tipo de compromisso costuma ser recusado, não por falta de interesse, mas porque não dá para reorganizar uma agenda inteira em cima da hora.
Espere pagar um sinal. Aqui é legítimo e esperado, justamente porque ela está bloqueando dias e recusando outros compromissos. Combine também o que acontece se você cancelar.
O combinado que só existe nesse formato
Além do usual, três coisas que precisam ser tratadas antes:
A história
Se alguém perguntar como vocês se conhecem, qual é a resposta? Defina isso antes, e defina junto: nome que ela usa, o que faz, há quanto tempo vocês se conhecem. Improvisar versões diferentes na frente de terceiros é a maneira mais rápida de criar constrangimento para os dois.
Fotos
Evento social tem câmera. Combine antes se ela aceita aparecer, em que tipo de foto, e o que fazer com fotógrafo profissional ou rede social. Muitas aceitam o compromisso desde que não haja registro, e essa condição precisa ser respeitada mesmo quando o momento parece inofensivo.
Contato físico em público
Braço dado, mão dada, beijo no rosto. O que é natural para o papel e o que ela não faz em público. Cinco minutos de conversa evitam um mal-entendido na frente de trinta pessoas.
Durante
- Ela não é sua assistente. Não é papel dela carregar suas coisas, resolver sua logística ou administrar seus compromissos.
- Álcool com moderação, dos dois lados. É a variável que mais estraga eventos longos.
- Respeite o tempo de descanso em viagem. Uma diária não significa disponibilidade contínua por 24 horas. Combine as janelas.
- Não a exponha a situações que ela não escolheu. Levar a um grupo hostil, ou provocar perguntas sobre ela, quebra o combinado.
- O que está incluído continua sendo o que foi combinado. Uma diária não amplia limites nem substitui a conversa que vocês tiveram antes.
Como propor
Uma mensagem que dá à profissional tudo que ela precisa para responder com um valor real:
Data, local, horário, duração, tipo de evento e traje. Com isso ela consegue dizer sim ou não e dar um valor sem três rodadas de pergunta.
Se ela recusar
Acontece, e vale entender que costuma não ser sobre você. Exposição pública, viagem com pessoa desconhecida e longos períodos fora são as situações de maior risco na profissão. Muita gente atende normalmente e não faz eventos, ou faz eventos e não viaja. Recusa não é falta de profissionalismo, é gestão de risco, e a resposta certa é agradecer e procurar quem trabalha nesse formato.


